sábado, 15 de dezembro de 2012

“Só foge da solidão quem tem medo dos próprios pensamentos, das próprias lembranças.” Erico Veríssimo



O medo que tenho do desconhecido me compele a tentar o diferente. Prefiro viver Tim, viver Raul, do que viver Roberto Carlos. No caminho me deparei com o medo de não embarcar, com o medo de fracassar, medo de não ter onde dormir, pavor de ser assaltado, enganado, errar o caminho... Eu sou Eugênio e Olívia. Queria não sê-los, mas, tal qual Eunice, Erico sabe ler as pessoas.
            Descobri porque viajo, a razão pela qual vivo inventando loucuras: MEDO. Tenho medo de tudo e sinto uma necessidade pungente de enfrentá-lo. “O que isso tem a ver com o livro?” Você deve estar se indagando com certo grau de impaciência. Eu explico...
            Já havia pedalado mais de 1000 km quando o Erico Veríssimo me contou a verdade, me explicou o Medo. Em alguma lista do Ensino Médio constava o livro “OLHAI OS LÍRIOS DO CAMPO”, o primeiro clássico do autor, que eu rejeitei como tantos outros. Na minha rebeldia juvenil era inconcebível que me fosse obrigado um prazer, então rechaçava tudo que estivesse na bendita lista anual do colégio. Ainda bem! Passados 10 anos, já atrasado para ir ao Tietê pegar o ônibus que me levaria à Curitiba, subi as escadas correndo e procurei “Capitães da Areia” na estante. Estava emprestado, mas e agora? Se não vou levar o livro favorito vou levar o que eu nunca li. Dessa maneira “Olhai os lírios do campo” foi selecionado, eu ainda não sabia exatamente para o que.
            Comecei timidamente a leitura ainda em SC, mas no meu primeiro dia em solo uruguaio passei a devorá-lo, primeiro para combater a solidão que o idioma maximizava, depois porque não conseguia mais parar. Veríssimo apresenta um romance real demais pra ser empolgante, pessoal demais pra ser ilusão. A típica história do garoto pobre que supera as barreiras sociais em sua busca pelo sucesso. A questão central que o gaúcho vai esmiuçar é justamente esta: O que é o sucesso? Nos encontros e desencontros da vida de Eugenio nos deparamos com as dúvidas e medos que todos os dias perturbam nossas vidas. Nos reconhecemos nas atitudes que queremos condenar, mas não podemos, pois já chegou o tempo em que nosso exame de consciência limitara o julgamento moral. Talvez você não se identifique ao complexo de inferioridade que move Eugenio ao sucesso, ou ao desprendimento das pressões sociais que tornam Olivia uma heroína, ou ainda à soberba e erudição de Eunice, mas se o livro não lhe conclamar a expiar suas próprias verdades absolutas uma única vez eu juro que volto a pé até o Uruguai pra buscar aquela edição adulterada!





“A Olívia tinha razão... Felicidade é a certeza de que nossa vida não está se passando inutilmente. São estes intervalos entre um trabalho cansativo, estes momentos em que a gente pode conversar com um amigo, brincar com os filhos, ler um bom livro... O erro é pensar que o conforto permanente, o bem estar que nunca acaba e o gozo de todas as horas são a verdadeira felicidade. Como agora eu vejo claro! É preciso o contraste...”

quarta-feira, 21 de novembro de 2012

Araranguá - Barra do Ribeiro

21:50 - Nego, se eu sair dessa amanhã vou dormir em um hotel de verdade. Não tinha a menor ideia de como esse dia ia acabar, nem começar. Revoltado com a noite de insonia tentei partir rápido, o que mais uma vez não deu certo. Quando parecia tudo ok percebi que não havia pego o Cateye e tive de tirar tudo da mala na recepção para encontrá-lo no fundo do alforje. Com apenas 40 km parei, não me sentindo bem. Comi e abasteci de água (que não tinha encontrado em nenhum posto). Melhorei 100% e fiz 24 km rapidinho, mas... Tudo que importa sempre vem depois do MAS! Passei por um caminhãozinho atolado no barro e no primeiro momento segui pensando em quantos km eu deveria agilizar até o fim do dia. Precisava cobrir uns 150 km para conseguir chegar em Porto Alegre no sábado, em tempo de trocar o dinheiro no câmbio. Fiquei com peso na consciência e voltei para ajudar o motorista solitário, que estava de barro dos pés à cabeça.

- Quer ajuda?
- (cara de "o que você pode fazer idiota?") Tá indo pra onde?
- Pra Porto Alegre.
- Me ajuda que eu te dou carona até lá.

A nós se juntou mais um moço "bom de palpite" e alguns donos de caminhão que pararam para tentar rebocar. Quase conseguimos, mas uma placa de trânsito atrapalhou e atolou ainda mais. O jeito era chamar o guincho, só que o motorista não estava muito afim de meter a mão no próprio bolso pelo caminhão do jornal. Ele havia parado para dormir e quando acordou...

Parou mais uma boa alma que tentou sem sucesso ajudar e então que revoltado o atolado pediu ajuda para remover a placa, enquanto ele quase tombou o caminhão e conseguiu sair! Eu acabara de voltar com garrafas de refrigerante. Entramos, amarrei a bike como uma "menininha" e partimos. O ministério da saúde e a torcida do Brasil advertem: Pegar carona pode ser fatal! O homem (até então não havíamos nos apresentado)  falara no celular, tomava refrigerante e dirigia ao mesmo tempo! Tudo isso com apenas duas mãos! Eu morrendo de medo de ser meu fim e ele trocando declarações amorosas com a namoradinha extra oficial. Paramos para almoçar, arrumei a bike no baú e comemos como porcos por conta dele. Na volta à estrada ele parou o caminhão e mandou eu guiar porque ele iria dormir. Argumentei, nunca havia dirigido um daquele, to sem habilitação... Como queria dar fim ao sofrimento da carona rápido fui pro volante e ele dormiu ao lado como uma criança.



Passei por posto da Polícia Rodoviária, paguei pedágio e dirigi até a rodoviária de Porto Alegre. Nos despedimos e eu fui atrás da casa de câmbio. Após conseguir os pesos uruguaios decidi continuar pedalando para encontrar um hotel mais barato... PENSE NUM NEGO BURRO: Cheguei em uma cidadezinha (na verdade nem cheguei a entrar na cidade) depois de Guaíba e não tem onde ficar. Pedi pra um e pra outro deixarem eu armar a barraca no quintal das casas e acabei aqui no galpão abandonado da paróquia, com a certeza de que serei manchete dos jornais daqui a três dias quando me encontrarem. Amanhã hotel com banheiro!
Montei a barraca sobre o palco e escondi a bike embaixo. Enquanto não me decido se me sinto seguro tenho de me esforçar um pouquinho para descrever esse lugar. O marasmo do abandono e o som dos bichos do mato constatam com o constante passar de veículos na Rodovia que não está muito distante. Embora a capela não esteja aberta não há sinais de abandono, já não podemos afirmar o mesmo do "complexo de festas paroquial". Um salão enorme, coberto de madeira, com um palco de um lado e um balcão na outra extremidade. Ao lado banheiros, uma "quadra" de volei marcada na grama, uma churrasqueira com algo que não pude identificar, mas macabro o suficiente para o momento. De vez em nunca um carro ilumina o lugar levemente ou um som foge aos habituais e então (como nesse exato instante) meu coração pausa. Esta noite pode definir minha concepção de medo. Amanhã é véspera de natal...
Para amenizar meu horror comecei a disparar torpedos SMS para todos e pra Larissa eu disse que estava no quintal de uma família.

sexta-feira, 20 de julho de 2012

ITAPEMA - IBITUMBA 21/12/2011

a Chuva vindo com força... mas felizmente não me alcançou.







ITAPEMA - IBITUMBA


A noite foi terrível! Eu que sou o rei do sono bruto não conseguia dormir e acordava o tempo inteiro. Acordei definitivamente às 8:00 com o sol estralando meu forninho particular. Demorei pra arrumar tudo e ao terminar esperei pelo retorno da Neu, a dona do camping, pra saber o custo da minha estadia: R$ 0,00! E há quem diga que eu saí sem patrocínio. Vou encontrando eles pelo caminho e logo depois, uns 20 km na estrada, ganhei um abacaxi (!).

- Moça quanto é o abacaxi?
- 5 por R$ 10,00.
- Só quero 1, eu to de bike.
- Pode pegar.

Pedalei firme, aproveitando o percurso favorável, repleto de retas e pouco vento. 65 Km depois parei em Palhoça para almoçar, beber um suco de laranja e me acabar no banheiro. Comi muito, demorei mais de hora para me recompor e aproveitei para prosear com um dos moços do lugar, menino de Bauru que fez gastronomia no SENAC....... e como todo mundo, já morou um tempo em São Paulo.

Uma coquinha e um Red Bull depois parti para Ibitumba, achando que era uns 50 km... Ledo engano.


Um congestionamento por causa das obras na estrada foi me distraindo, só que quando acabou foi no meio de uma Serra infinita e eu estava acabado. Este trecho não tinha acostamento, o que dificultou ainda mais a subida.

Descanso depois de uma subida tensa

No pé da Serra o mesmo problema do dia anterior: uma reta com vento maldito! Pedalei uma hora a mais pra chegar finalmente aqui e encontrar com facilidade este Hotel simples e limpinho por R$ 15,00. Melhor que isso só encontrar garrafa de 1L de gatorade na promoção!!! Amanhã Criciúma?






























quinta-feira, 19 de julho de 2012

Pelotas - Parque do Taim (?) Lagoa Mirim

21:02 - Não vou mais para o Uruguai, já encontrei sentido na viagem e vou voltar.
A primeira coisa que lhe vem a mente ao dormir em um Motel de higiene duvidosa é: "Estou com o rosto na área protegida do colchão?" Por sorte estava de cara na mala bike. Enquanto ia me ajeitando, escutava e me distraia com as notícias do "Bom Dia RS", tudo tão diferente (na proporção). Pensei em aproveitar o dia já que a distância seria curta... Como eu sou burro né?
Ainda em Pelotas fui parando, tirando foto, dando volta na praça... Na estrada pra Rio Grande, na preguiça que eu estava encontrei uma boa desculpa para parar: trocar os pneus. O de trás já estava careca e o da frente "quase novo". Aproveitei para tirar todos os grampos e cacos de vidro.
Passei por um homem que acelerou com sua bicicleta e me alcançou. Fui proseando com o Seu Valmir por kms antes dele chegar no seu destino. Como é bom conversar pedalando! (Ao saber que eu sou professor, Seu Valmir fez questão de enfatizar o quanto trabalha para que seus filhos possam estudar...)
Ao me deparar com a placa que indicava a praia do Cassino para um lado e o Chuí do outro pensei em dar "um pulinho" na praia e tomei o rumo do Cassino. Desisti ao ver a placa "23 km para a praia"! Retornei na mesma hora e parei para almoçar. Alimentado e descansado, com 40 km percorridos, voltei para a estrada, para o lado ERRADO, o que me custou a minha última câmara de ar nova. Um enorme arame de pneu, justamente no pneu traseiro que eu acabara de trocar. Agora no rumo certo acelerei feito louco, a ponto de fazer 27 km em um hora. Temperatura agradável, pouco tráfego, vento a favor e a pista mais plana do mundo!
Obviamente cansei e parei para tomar carboidrato e proteína, apesar de descobrir 500 metros depois uma lanchonete. Parei por lá, fiz um lanche enquanto conversava com a muiezada e assistia Mulheres de Areia. Pedalei mais 20 e poucos kms até avistar uma placa da praia da Lagoa Mirim. Não precisava nem continuar a viagem. É o lugar mais lindo que eu já vi, talvez uma beleza acentuada pelo fato de não ter ninguém na praia inteira. Paisagem paradisíaca ao extremo. Fiz um lanche (quanta comida!) e me instalei no camping na beira da praia. Corri atrás da barraca (aqui venta absurdamente) e voltei pra praia.
Aproveitei que era o único no camping e coloquei a barraca na área coberta em frente ao banheiro. Banhei e fiz remendo nas câmaras de ar furadas, mas não quero descobrir se ficaram bons!

Camaquã - Pelotas

22:42 - O difícil foi superar a preguiça e sair daquela cama aconchegante do hotel. Gastei horas arrumando tudo e assistindo desenhos bíblicos. Caprichei no café-da-manhã (acho que o pessoal do Hotel ficou meio incomodado) e às 10:30 tomei o rumo da rua. Acelerei aproveitando a temperatura amena e em 2 horas e meia já rodado 51 km. No entanto a ventania começou a chegar em São Lourenço do Sul e foi um sofrimento. Não havia quase nenhum estabelecimento no caminho (na BR 116 eles são raros) e os que surgiam estavam fechados por graças ao Natal. Encostei na entrada de São Lourenço do Sul e comi uma bolacha (a essa altura minha água já era também). Logo que me sentei na porta de um salão vazio o novo locatário chegou com a família para apresentar o novo empreendimento. Como ninguém se incomodou continuei por lá até que os familiares fossem embora. Enquanto me preparava para seguir trocamos ideias. O engraçado é que você sempre encontra alguém que já morou em São Paulo, como era o caso dele "-Aqui eu moro a 10 minutos do trabalho, a 15 da praia e se quiser algo mais estou a 1 hora de Porto Alegre. São Paulo não é vida."

Eu ainda precisava comer algo para não desmontar. Apertei o passo e encontrei o posto indicado pelo amigo: o Posto do Japonês. Pelo menos tinha uns salgados para comer e uns negócios para tomar. A parte boa de ser de Sampa é que a gente acha tudo muito barato. (*Conheci uma família que me convenceu a ir pelo Chuí, até então estava em dúvida.) Os últimos 50 km foram bem rápidos, sem vento, eu me sentindo muito bem e doido parar chegar. Ao entrar em Pelotas fiquei negativamente impressionado, pois até onde a vista alcançava não se via nada. Mesmo os hotéis estavam fechados e os orelhões não funcionavam direito. Terminei o dia no Motel Guilherme, com aspecto assustador por fora, espaço interno do quarto e preços incríveis, além de razoável higiene, nada que o chinelo e a mala bike não resolvessem.

Barra do Ribeiro - Camaquã

20:24 - Sobrevivi.
Quando te perguntarem o que você fez e onde estava no Natal passado talvez não lembre. Eu direi que estava assistindo TV em Camaquã.

Curiosamente tive uma boa noite de sono em Barra do Ribeiro, acordei apenas duas vezes achando que era meu fim. Quando finalmente resolvi me ajeitar o sol já despontava por entre as nuvens. O frio da madrugada já havia adiantado meu serviço de vestir a capa de chuva. Meu estomago sofredor pedia arrego durante as arrumações e juro que conferi os banheiros do "complexo paroquial"... Impossível... então bora correr pro mato (mais ou menos mato: história horripilante que prefiro omitir!).
Tudo pronto? Bora resgatar a bike debaixo do palco e... mais um pneu furado, mais um arame. (E o meu desespero de ficar mais tempo naquele lugar? se eu acreditasse em qualquer coisa ligada ao sobrenatural - QUALQUER coisa - teria saído correndo de lá!)
Saí voado com a chuva me retardando e o pneu (que eu só saberia depois) meio murcho. Com 15 km parei para me recompor fisicamente e mais uma vez tive a oportunidade de desfrutar da hospitalidade gaúcha. Encarei a chuva por mais 38 km e parei num ponto de ônibus para comer um negócio, fazer uma pausa. Cada vez que passava por uma placa "SOB CHUVA REDUZA A VELOCIDADE" eu queria me morrer!
É impressionante como o vazio demográfico é acentuado ao Sul de Porto Alegre. Ao retomar as pedaladas já sentia as pernas muito pesadas, efeito dos dias e do percurso de hoje, com uma infinidade de retas e subidas, com algumas poucas descidas.
Com 72 km parei para almoçar e desfrutar de mais um tiquinho da "hospitalidade" gaúcha. Me indicaram o "melhor hotel" de Camaquã a 7 km dali... e cá estou, conforme juramentado na noite anterior. Como sobrevivi, estou assistindo Turma da Mônica na virada da noite de Natal. Tive de tirar tudo dos alforjes e o que não estava nos plásticos molhou. Lavei as roupas sujas e improvisei um varal no quarto, morrendo de medo de ser descoberto e expulso.

PS: sou tão fudido que acabou a luz!

terça-feira, 6 de março de 2012

Ibitumba - Araranguá

Ibitumba - Araranguá

19:35 Eu tenho que otimizar os preparativos diurnos para não desperdiçar o tempo. Tive de acordar a dona do Hotel para abrir a porta e  então tomei um todynho com dois pães com manteiga. Saí às 7:30 com a intenção de fazer ao menos 70 km pela manhã. Foi melhor! Apesar das pernas estarem cada dia mais cansadas e a bunda já não encontrar mais posição confortável (*Perdi o raciocínio: o final do jogo Tottenham x Chelsea tá bão demais) o percurso favorecia com as mesmas retas de sempre, mas sem os ventos fortes do fim de tarde. Parei com 50 km para comer algo (que não me fez bem) e já fui pro banheiro. No posto tinha um mini museu com peças antigas, como rádios e máquinas de escrever. Parti para mais 45 km e parei para almoçar às 13:00, antes que não tivesse mais nada. Almoçando vi na TV a notícia de uma favela pegando fogo: era a casa de um amigo. O coração ficou pequenininho, mas logo em seguida fui tranquilizado com a mensagem de celular de outro amigo. Estava tudo bem.

Fiquei batendo papo com o Claudino, dono do restaurante e viajante também, mas motoqueiro. No final das contas não me cobrou o almoço. Mais um patrocínio espontâneo! Resolvi passar direto por Criciúma e rumei pra Araranguá. Encontrei o Hotel Kruger, com uma senhoria excêntrica que ficou ofendida por eu querer guardar a bike no quarto. Tomei um banho, lavei a roupa e sai para comprar a "janta". Choveu pela 1ª vez desde que comecei, mas parece que não vai parar tão cedo. Porto Alegra em 2 dias? Será?

PS: Havia tantos pernilongos que não seria surpresa caso um deles fosse radioativo e eu saísse voando. Impossível dormir. Sonhei com o ARC (minha escola) e  os professores do Jácomo (minha outra escola) também estavam por lá, meio de lado, como eu fico no próprio Jácomo.

terça-feira, 31 de janeiro de 2012

Joinville - Itapema 20/12/2011

Joinville - Itapema
Distância Percorrida: 121,7 Km
Velocidade Média: 16,6 Km/h
Velocidade Máxima: 51,5 Km/h 
Tempo Pedalando: 7:18:00

1ª parte 11:50

Que praia Linda! 

Acordei por volta de 6:30 sem saber onde estava (sensação comum nas minhas curtas viagens de bicicleta). Arrumei tudo, tomei café-da-manhã no "Hotel" e percebi que todos os funcionários daquele pardieiro eram bolivianos. Em São Paulo temos a sensação de que eles estão apenas nos bairros do Centro, mas logo se percebe que a exploração não exige exclusividade. Saí umas 8:15 e pedalei ininterruptamente por 50 Km. Tomei água, me informei, tomei uma coca e me informei de novo para chegar aqui em Itajuba, essa praia tranquila e quase deserta (é cercada por casas à beira mar). 







Comecei timidamente a leitura de Olhai os Lírios do Campo.
2ª parte 23:10


OK. Essa foi a 1ª parte boa do dia. Vamos aos perrengues. Ao sair da praia de Itajuba parei no final da areia em um rio que desembocava no mar, onde um casal e dois cãezinhos se divertiam. Imaginei que eramos nós! 

As retas infinitas da BR 101
Na sequência comecei a sentir a bike estranha e resolvi parar numa bicicletaria pra dar uma olhada no câmbio, mas estava fechada. Esperei nem 5 minutos e o dono apareceu, para meu desespero, já que a especialidade dele é Barra Forte (bicicleta sem marcha!). Dei um jeito eu mesmo e sai, só que não me dei por satisfeito e continuei tentando melhorar seguidas vezes, sem sucesso. Segui viagem sem a catraca maior, e nem precisava, pois eu me arrastava na reta infinita da BR 101. O vento contrário era tão forte que eu nem percebi quando o pneu furou. Só quando fui pegar uma placa de caminhão caída no acostamento é que vi a situação do pneu. Empurrei até um borracheiro uns 200 m  a frente e obviamente obtive uma negativa (eles detestam arrumar pneu de bike!), ao menos deixou eu encher o pneu (felizmente não precisava nem de força, nem de jeito pra trocar os pneus dessa bike!) e retirou os arames pra mim. Tomei duas cocas geladas e comi castanhas torradas (s2). Faltavam ainda 23 Km até Itapema e no caminho colocaram uma parede chamada "Morro do Boi". 



Chegando por aqui tomei um guaraná e encontrei uma bicicletaria (pasmem, 19h e bombando), O Jean parou o que estava fazendo, arrumou rapidinho a regulagem do câmbio e ao invés de cobrar me deu uma câmara de ar de presente! Disse que era dever dele ajudar um atleta. 

        Obrigado cara, sem palavras pra descrever o quanto tua atitude mudou minha viagem! 

Perguntei sobre o Camping e fui apresentado ao Cristiano, que se dispôs a me levar até lá.

Bom de prosa o Kiko Molinari me levou num tour por Itapema e depois que passamos no Camping de R$30,00 (!!!!) ele conversou com a Neu, dona do camping onde estou, e me trouxe até aqui! Antes passamos ainda na casa dele, onde comi torta deliciosa da mãe, ganhei um gatorade, um pacote de biscoito, água gelada, acerolas direto do pé, fui apresentado às suas várias bicicletas e seus cães! 




O passeio só não foi mais longo porque eu estava realmente cansado e previa que meu sono estava chegando rápido! Pela primeira vez na vida montei uma barraca sozinho... Agora é dormir e esperar pelo amanhã!



Kiko tu abriu as portas da tua casa sem nem me conhecer! O dia que precisar de qualquer coisa estou à sua disposição! Obrigado Irmão! 

sábado, 28 de janeiro de 2012

Curitiba - Joinville 19/12/2011 - 20:15

Curitiba - Joinville
Distância: 128 Km
Média: 17,5 Km/h
Máxima: 63,6 Km/h
Tempo Pedalando: 7:16:00

To virando os olhinhos...

O embarque foi tranquilo, viajei sem companhia e mesmo assim não consegui dormir o percurso inteiro. Cheguei sem ter a menor ideia do que e como fazer. Comi na rodoviária um café com leite e o pior pão de queijo da minha vida! Arrumei a bike perto dos taxistas, o que me dava uma falsa sensação de segurança. Enfim comecei a jornada!



Fui parando a cada 200m para arrumar isso, aquilo... As primeiras horas foram deliciosas, apesar de pesadinhas, mas andar sozinho na BR 376 (um caminhão tombou interditando a pista) e descer a Serra ultrapassando os caminhões foram sensações fantásticas!


                                                          vídeo da descida da Serra

No fim da Serra me embrenhei no mato para chegar em um rio e logo em seguida parei para comer pastéis e tomar caldo de cana. Fotografei um mapa de SC que me foi muito útil, já que eu não tinha nenhum! Conheci o Seu Pedro, contador de causos de "Pedro Malasartes" e quase morri com o Sol do meio-dia às 15:00, quando cheguei em Joinville. 



Almocei duas coxas de frango, prosei mais um bocado e me indicaram o pulgueiro onde estou, que, de fato, é muito barato R$23,00 sem banheiro. (banheiro coletivo imundo!) 



18/12/2011 - 21:50

A ansiedade é tanta que estou passando mal. A sensação é de que a viagem já começou, entretanto estou aguardando o Cometa sujo das 22:20, tentando me convencer de que não haverá nenhum problema no embarque da bike, mas não estou obtendo êxito nesta missão. Enquanto espero observo... Rodoviária é um lugar encantado onde os portais de lugar algum e lugar nenhum se abrem, misturando alemães mochileiros, famílias nordestinas indo pra BH e cosplays de Naruto... Aqui no Tietê se vê de tudo, menos meu ônibus que não chega. 




Eu só queria pedalar pra bem longe! Se eu soubesse que ia ser tão complicado teria sido vencido pela preguiça, só mesmo a teoria do Calvin para me dar forças. 



O primeiro grande problema da viagem acaba de surgir: não dá pra ir no banheiro! E nada do ônibus. Acho que estou ansioso...