quinta-feira, 19 de julho de 2012

Barra do Ribeiro - Camaquã

20:24 - Sobrevivi.
Quando te perguntarem o que você fez e onde estava no Natal passado talvez não lembre. Eu direi que estava assistindo TV em Camaquã.

Curiosamente tive uma boa noite de sono em Barra do Ribeiro, acordei apenas duas vezes achando que era meu fim. Quando finalmente resolvi me ajeitar o sol já despontava por entre as nuvens. O frio da madrugada já havia adiantado meu serviço de vestir a capa de chuva. Meu estomago sofredor pedia arrego durante as arrumações e juro que conferi os banheiros do "complexo paroquial"... Impossível... então bora correr pro mato (mais ou menos mato: história horripilante que prefiro omitir!).
Tudo pronto? Bora resgatar a bike debaixo do palco e... mais um pneu furado, mais um arame. (E o meu desespero de ficar mais tempo naquele lugar? se eu acreditasse em qualquer coisa ligada ao sobrenatural - QUALQUER coisa - teria saído correndo de lá!)
Saí voado com a chuva me retardando e o pneu (que eu só saberia depois) meio murcho. Com 15 km parei para me recompor fisicamente e mais uma vez tive a oportunidade de desfrutar da hospitalidade gaúcha. Encarei a chuva por mais 38 km e parei num ponto de ônibus para comer um negócio, fazer uma pausa. Cada vez que passava por uma placa "SOB CHUVA REDUZA A VELOCIDADE" eu queria me morrer!
É impressionante como o vazio demográfico é acentuado ao Sul de Porto Alegre. Ao retomar as pedaladas já sentia as pernas muito pesadas, efeito dos dias e do percurso de hoje, com uma infinidade de retas e subidas, com algumas poucas descidas.
Com 72 km parei para almoçar e desfrutar de mais um tiquinho da "hospitalidade" gaúcha. Me indicaram o "melhor hotel" de Camaquã a 7 km dali... e cá estou, conforme juramentado na noite anterior. Como sobrevivi, estou assistindo Turma da Mônica na virada da noite de Natal. Tive de tirar tudo dos alforjes e o que não estava nos plásticos molhou. Lavei as roupas sujas e improvisei um varal no quarto, morrendo de medo de ser descoberto e expulso.

PS: sou tão fudido que acabou a luz!

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