sexta-feira, 20 de julho de 2012

ITAPEMA - IBITUMBA 21/12/2011

a Chuva vindo com força... mas felizmente não me alcançou.







ITAPEMA - IBITUMBA


A noite foi terrível! Eu que sou o rei do sono bruto não conseguia dormir e acordava o tempo inteiro. Acordei definitivamente às 8:00 com o sol estralando meu forninho particular. Demorei pra arrumar tudo e ao terminar esperei pelo retorno da Neu, a dona do camping, pra saber o custo da minha estadia: R$ 0,00! E há quem diga que eu saí sem patrocínio. Vou encontrando eles pelo caminho e logo depois, uns 20 km na estrada, ganhei um abacaxi (!).

- Moça quanto é o abacaxi?
- 5 por R$ 10,00.
- Só quero 1, eu to de bike.
- Pode pegar.

Pedalei firme, aproveitando o percurso favorável, repleto de retas e pouco vento. 65 Km depois parei em Palhoça para almoçar, beber um suco de laranja e me acabar no banheiro. Comi muito, demorei mais de hora para me recompor e aproveitei para prosear com um dos moços do lugar, menino de Bauru que fez gastronomia no SENAC....... e como todo mundo, já morou um tempo em São Paulo.

Uma coquinha e um Red Bull depois parti para Ibitumba, achando que era uns 50 km... Ledo engano.


Um congestionamento por causa das obras na estrada foi me distraindo, só que quando acabou foi no meio de uma Serra infinita e eu estava acabado. Este trecho não tinha acostamento, o que dificultou ainda mais a subida.

Descanso depois de uma subida tensa

No pé da Serra o mesmo problema do dia anterior: uma reta com vento maldito! Pedalei uma hora a mais pra chegar finalmente aqui e encontrar com facilidade este Hotel simples e limpinho por R$ 15,00. Melhor que isso só encontrar garrafa de 1L de gatorade na promoção!!! Amanhã Criciúma?






























quinta-feira, 19 de julho de 2012

Pelotas - Parque do Taim (?) Lagoa Mirim

21:02 - Não vou mais para o Uruguai, já encontrei sentido na viagem e vou voltar.
A primeira coisa que lhe vem a mente ao dormir em um Motel de higiene duvidosa é: "Estou com o rosto na área protegida do colchão?" Por sorte estava de cara na mala bike. Enquanto ia me ajeitando, escutava e me distraia com as notícias do "Bom Dia RS", tudo tão diferente (na proporção). Pensei em aproveitar o dia já que a distância seria curta... Como eu sou burro né?
Ainda em Pelotas fui parando, tirando foto, dando volta na praça... Na estrada pra Rio Grande, na preguiça que eu estava encontrei uma boa desculpa para parar: trocar os pneus. O de trás já estava careca e o da frente "quase novo". Aproveitei para tirar todos os grampos e cacos de vidro.
Passei por um homem que acelerou com sua bicicleta e me alcançou. Fui proseando com o Seu Valmir por kms antes dele chegar no seu destino. Como é bom conversar pedalando! (Ao saber que eu sou professor, Seu Valmir fez questão de enfatizar o quanto trabalha para que seus filhos possam estudar...)
Ao me deparar com a placa que indicava a praia do Cassino para um lado e o Chuí do outro pensei em dar "um pulinho" na praia e tomei o rumo do Cassino. Desisti ao ver a placa "23 km para a praia"! Retornei na mesma hora e parei para almoçar. Alimentado e descansado, com 40 km percorridos, voltei para a estrada, para o lado ERRADO, o que me custou a minha última câmara de ar nova. Um enorme arame de pneu, justamente no pneu traseiro que eu acabara de trocar. Agora no rumo certo acelerei feito louco, a ponto de fazer 27 km em um hora. Temperatura agradável, pouco tráfego, vento a favor e a pista mais plana do mundo!
Obviamente cansei e parei para tomar carboidrato e proteína, apesar de descobrir 500 metros depois uma lanchonete. Parei por lá, fiz um lanche enquanto conversava com a muiezada e assistia Mulheres de Areia. Pedalei mais 20 e poucos kms até avistar uma placa da praia da Lagoa Mirim. Não precisava nem continuar a viagem. É o lugar mais lindo que eu já vi, talvez uma beleza acentuada pelo fato de não ter ninguém na praia inteira. Paisagem paradisíaca ao extremo. Fiz um lanche (quanta comida!) e me instalei no camping na beira da praia. Corri atrás da barraca (aqui venta absurdamente) e voltei pra praia.
Aproveitei que era o único no camping e coloquei a barraca na área coberta em frente ao banheiro. Banhei e fiz remendo nas câmaras de ar furadas, mas não quero descobrir se ficaram bons!

Camaquã - Pelotas

22:42 - O difícil foi superar a preguiça e sair daquela cama aconchegante do hotel. Gastei horas arrumando tudo e assistindo desenhos bíblicos. Caprichei no café-da-manhã (acho que o pessoal do Hotel ficou meio incomodado) e às 10:30 tomei o rumo da rua. Acelerei aproveitando a temperatura amena e em 2 horas e meia já rodado 51 km. No entanto a ventania começou a chegar em São Lourenço do Sul e foi um sofrimento. Não havia quase nenhum estabelecimento no caminho (na BR 116 eles são raros) e os que surgiam estavam fechados por graças ao Natal. Encostei na entrada de São Lourenço do Sul e comi uma bolacha (a essa altura minha água já era também). Logo que me sentei na porta de um salão vazio o novo locatário chegou com a família para apresentar o novo empreendimento. Como ninguém se incomodou continuei por lá até que os familiares fossem embora. Enquanto me preparava para seguir trocamos ideias. O engraçado é que você sempre encontra alguém que já morou em São Paulo, como era o caso dele "-Aqui eu moro a 10 minutos do trabalho, a 15 da praia e se quiser algo mais estou a 1 hora de Porto Alegre. São Paulo não é vida."

Eu ainda precisava comer algo para não desmontar. Apertei o passo e encontrei o posto indicado pelo amigo: o Posto do Japonês. Pelo menos tinha uns salgados para comer e uns negócios para tomar. A parte boa de ser de Sampa é que a gente acha tudo muito barato. (*Conheci uma família que me convenceu a ir pelo Chuí, até então estava em dúvida.) Os últimos 50 km foram bem rápidos, sem vento, eu me sentindo muito bem e doido parar chegar. Ao entrar em Pelotas fiquei negativamente impressionado, pois até onde a vista alcançava não se via nada. Mesmo os hotéis estavam fechados e os orelhões não funcionavam direito. Terminei o dia no Motel Guilherme, com aspecto assustador por fora, espaço interno do quarto e preços incríveis, além de razoável higiene, nada que o chinelo e a mala bike não resolvessem.

Barra do Ribeiro - Camaquã

20:24 - Sobrevivi.
Quando te perguntarem o que você fez e onde estava no Natal passado talvez não lembre. Eu direi que estava assistindo TV em Camaquã.

Curiosamente tive uma boa noite de sono em Barra do Ribeiro, acordei apenas duas vezes achando que era meu fim. Quando finalmente resolvi me ajeitar o sol já despontava por entre as nuvens. O frio da madrugada já havia adiantado meu serviço de vestir a capa de chuva. Meu estomago sofredor pedia arrego durante as arrumações e juro que conferi os banheiros do "complexo paroquial"... Impossível... então bora correr pro mato (mais ou menos mato: história horripilante que prefiro omitir!).
Tudo pronto? Bora resgatar a bike debaixo do palco e... mais um pneu furado, mais um arame. (E o meu desespero de ficar mais tempo naquele lugar? se eu acreditasse em qualquer coisa ligada ao sobrenatural - QUALQUER coisa - teria saído correndo de lá!)
Saí voado com a chuva me retardando e o pneu (que eu só saberia depois) meio murcho. Com 15 km parei para me recompor fisicamente e mais uma vez tive a oportunidade de desfrutar da hospitalidade gaúcha. Encarei a chuva por mais 38 km e parei num ponto de ônibus para comer um negócio, fazer uma pausa. Cada vez que passava por uma placa "SOB CHUVA REDUZA A VELOCIDADE" eu queria me morrer!
É impressionante como o vazio demográfico é acentuado ao Sul de Porto Alegre. Ao retomar as pedaladas já sentia as pernas muito pesadas, efeito dos dias e do percurso de hoje, com uma infinidade de retas e subidas, com algumas poucas descidas.
Com 72 km parei para almoçar e desfrutar de mais um tiquinho da "hospitalidade" gaúcha. Me indicaram o "melhor hotel" de Camaquã a 7 km dali... e cá estou, conforme juramentado na noite anterior. Como sobrevivi, estou assistindo Turma da Mônica na virada da noite de Natal. Tive de tirar tudo dos alforjes e o que não estava nos plásticos molhou. Lavei as roupas sujas e improvisei um varal no quarto, morrendo de medo de ser descoberto e expulso.

PS: sou tão fudido que acabou a luz!